"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha
de ser honesto".

(Rui Barbosa)


domingo, 16 de outubro de 2011

Bola fora - Coluna

Os poucos mais de 15 estudantes que foram à Câmara na última terça-feira viveram uma situação insólita. Ao tentar adentrar no prédio do Legislativo foram recebidos por seguranças que lhes impediram a passagem; os poucos mais de 100 frequentadores habituais que todas as terças-feiras dão o ar da graça no local, seja por absoluta falta do que fazer, ou por dever cívico assistiram aparvalhados a cena meio comédia, meio tragédia: estudantes de caras pintadas e seguranças de caras fechadas na porta principal. Infelizmente, por erro de avaliação, ou talvez por sugestão infeliz de quem anda saudoso dos tempos da ditadura, os vereadores tomaram a iniciativa de barrar a entrada dos estudantes, sob o pretexto de que havia o risco de que a sessão poderia ser interrompida, aliás, como ocorrera na semana passada.

No final, a emenda saiu pior do que soneto. A sessão foi interrompida do mesmo jeito, já que os estudantes passaram a gritar palavras de ordem na entrada do prédio, o que atraiu a atenção dos que estavam no interior da casa, e por fim, depois de muito desgaste, os vereadores tiveram que voltar atrás e permitir a entrada dos manifestantes.

Pior do que a situação dos vereadores, só mesmo a reação ridícula de alguns funcionários (regiamente pagos pelo Poder Público), que batiam boca com os manifestantes e torciam desesperadamente para que a porta central continuasse fechada, esquecendo-se de lembrar que democracia implica em convivência, ainda que desagradável, com o contraditório.

Ora, a Câmara de vereadores, além de ser a sede do Legislativo municipal é a casa do povo, é lá que os interesses do município devem ser tratados, de modo que a perda da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) é uma razão mais do que plausível para ser dissecada na Câmara. Com uma certa dose de irreverência, os estudantes pretendiam encenar uma pequena peça para tentar uma tardia conscientização popular, que dorme em berço esplendido, enquanto vagabundos enchem as burras de dinheiro sob a contemplação geral. Não conseguiram, um pouco por falta de base legal, uma vez que regimentalmente a sessão não pode ser interrompida e outro tanto por falta de boa vontade dos edis, que podiam suspender a sessão, ou ter articulado a manifestação para um pouco antes do início da sessão.

No final, ficou a impressão de que quem aconselhou a pataquada de Terça deu uma tremenda bola fora. Definitivamente a Câmara não precisava desse desgaste, nem desse, nem de outros, como rejeição de requerimentos, que pouco ou nada representam.

Nesse altura do campeonato, desgaste é algo que não interessa.


(artigo publicado no jornal HOJE - Coluna do Marcel)

Um comentário:

Anônimo disse...

Nos dias 24 e 25/10 o governador JATENE estará em Parauapebas, portanto, estudantes e professores organizem-se para um grande protesto. Ele vem na hora certa. Todos os estudantes sem aula e o JATENE está preocupado em emitir documentos,consultas e outras besteirinhas a mais. Convoquem o povo pelo FACEBOOK, chega de palhaçada! O ENEM será no próximo final de semana e os alunos estão sem aula há quase um mês e parace que o governador não está nem AÍ...